segunda-feira, 18 de março de 2013

Dica do Leitor: As Regras de Roteiro da Pixar

A nossa leitora e super querida amiga, Paulinha Leon (de Abreu, porque agora ela é casadinha), mandou uma dica super legal pra gente.

A roteirista da Pixar, Emma Coates, tuitou uma lista do tipo "passo-a-passo" para se montar um roteiro cinematográfico que, de acordo com Coates, serve para qualquer gênero de ficção. A equipe do WLTM resolveu simplificar um pouco a lista e incluir também uns comentários (para ter acesso à lista completa, clique aqui). Olha só:

Pixar's 22 Rules of Storytelling

Passo n° 1: 
O seu personagem precisa ser admirado pelo seu esforço, não apenas por suas conquistas.(Ninguém gosta de personagem riquinho, metido, bonitão, mas que não tem caráter. Ele pode até ser todas essas coisas, só que a qualidade dele deve sobressair essas outras características.)

Passo n°2: 
Delimitar um tema é importante, mas você não vai saber sobre o que a história se trata até chegar ao fim dela. Depois, reescreva. (Imagina começar um roteiro usando como ponto de partida a história da Arca de Noé e terminar revelando que o amante da sua personagem, que foi assassinado em um domingo de chuva, no meio de um campo de futebol americano no lado europeu da Rússia, na verdade morreu de um ataque cardíaco. Limites são necessários. Revisões são mais necessárias ainda.)

Passo n°3
Era uma vez __. Todos os dias __. Um dia __. Por causa disso, ___. E, por causa disso, __. Até que, finalmente, __. (Fugir muito dessa ideia de começo, meio e fim é uma tarefa difícil. Sacadas como Amnésia, do Christopher Nolan, e Irreversível, do Gaspar Noé, são arriscadas e devem ser muito bem executadas para que o espectador não se perca.)

Passo n° 4: 
Defina um final antes de definir o meio da história. Sério. Finais são difíceis, tenha o seu como prioridade.

Passo n°5: 
Quando estiver com um bloqueio, faça uma lista do que NÃO aconteceria a seguir. Muitas vezes, o que você precisa para seguir em frente irá aparecer. (A idéia é que ao detalhar cada vez mais o seu personagem, por exemplo, o roteirista se tornará tão familiarizado com ele que saberá como seu personagem se comportará diante de certa situação. Isso é transmitido ao espectador da mesma forma.)

Passo n° 6: 
Ignore a primeira sequência de fatos que vem a sua cabeça. E a segunda, a terceira, a quarta, a quinta - não se atenha ao óbvio. Surpreenda a você mesmo. 

Passo n° 7:
Por que você precisa contar ESSA história? Qual é a crença que você tem? Por que você acredita que ela é importante? Esse é o coração da sua narrativa. (Uma vez que o roteirista acreditar naquilo que escreve, isso será passado naturalmente à sua narração. É isso que cativa o público: a credibilidade de um história. Mesmo que ela seja uma ficção científica passada no ano de 3.047 d.C., numa galáxia muito, muito distante.)

Passo n° 8: 
O que está em risco? Dê ao espectador um motivo para torcer pelo personagem. O que acontece se ele não tiver sucesso? Faça com que as chances disso sejam pequenas. (O ser humano é movido por emoções. É simples. O roteirista deve sempre tentar movimentar uma dessas emoções para que o público se identifique com aquele sentimento de alguma forma.)

Passo n° 9:
Coincidências para fazer com que os personagens entrem em encrencas são ótimas. Coincidências que tiram os personagens dessas encrencas são trapaças. 

Passo n° 10: 
Escrever, colocar em um papel, faz com que você possa corrigir sua história. Se ela fica em sua cabeça, como uma ideia perfeita, você nunca irá compartilhá-la com ninguém.

A roteirista dá ainda um ótimo exercício pra quem quer ir praticando antes de tentar escrever um roteiro próprio: Faça exercícios, descontrua filmes que você não gosta. Como você iria arranjá-lo de uma forma com que você curte?  

Obrigada pela dica, Paulinha <3

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