8 indicações: Melhor Filme - Melhor Ator - Melhor Atriz Coadjuvante - Melhor Figurino - Melhor Maquiagem - Melhor Canção - Melhor Direção de Arte - Melhor Mixagem de Som
Baseado em peça homônima da Broadway, "Os Miseráveis" é uma adaptação da adaptação e divide opiniões.
Tom Hooper, vencedor do Oscar 2011 por "O Discurso do Rei", aventurou-se a adaptar um musical da Broadway que arrasa por onde passa e, com isso, acabou suprimindo uma série de detalhes contidas na obra original, da autoria do francês Victor Hugo.
O drama tem como pano de fundo a França pós-Revolução Francesa e conta a história de um homem que, após 19 anos preso, viola sua condicional, muda de identidade e torna-se prefeito de uma pequena cidade francesa. Descoberto por seu antigo algoz, ele foge para cumprir uma promessa feita à jovem Fantine (Anne Hathaway), uma ex-funcionária sua que é obrigada a se prostituir, após perder o emprego, para sustentar sua filha, a pequena Cosette (Isabelle Allen/ Amanda Seyfried).
Eu confesso que estava muito ansioso pelo filme, mas, apesar de ter gostado, eu não sei se o indicaria ao Oscar. Explico.
O longa possui o mesmo ponto forte e o mesmo ponto fraco: Tom Hooper.
O diretor inovou ao, por exemplo, utilizar a captação de som ao vivo, sem utilizar playback, o que torna as cenas extremamente reais. Além disso, todos os diálogos do longa são cantados. Uma decisão arriscada, mas que na minha opinião funcionou. Fora isso, Hooper abusa dos cenários grandiosos e dá ao musical a roupagem de um verdadeiro épico.
Em contrapartida, outras decisões foram bastante mal tomadas. Por exemplo, Hooper exagera nos close-ups e erra a mão. Uma trama tão densa e tão intensa precisa, de fato, de alguns bons close-ups para captar a emoção dos atores em cena, mas ao abusar do recurso, acaba surtindo o efeito contrário, tornando-se banal. Outra artimanha desnecessária para a trama são os números de Sacha Baron Cohen e Helena Bonham Carter. Tá certo que a dupla de pilantras funciona como uma maneira de dar um ar mais clean à trama pesada e os dois arrasam na interpretação. No entanto, ao meu ver, os números foram desnecessários e sem sentido. E quando você acha que se livrou dos dois, eles retornam para mais uma série de sequências sem importância para a história.
Eu entendo que adaptar a obra de Victor Hugo seria um tanto quanto difícil devido ao tamanho do texto. Mas acho que uma simples adaptação do musical tornou o filme vazio, apesar da belíssima roupagem. Hooper erra a mão logo no início do longa ao apresentar os eventos com uma rapidez tão grande que impede o espectador de se conectar aos personagens e à sua história. Em 30 minutos somos apresentados a Javert (Russell Crowe), Jean Valjean (Hugh Jackman) e Fantine (Anne Hathaway). Valjean é liberado em condicional, descumpre a condicional, é acusado de um novo crime, é libertado, resolve mudar de vida, muda de identidade, conhece Fantine, permite sua demissão, ela vira prostituta e ele é descoberto. Após todos esses eventos, Hooper passa 128 minutos tentando preencher a história com close-ups sem fim e alguns números sem sentido ou importância.
O diretor acerta quando torna a personagem principal, Cosette, mera coadjuvante. A menina surge como a representação da esperança em tempos tão difíceis e o fato dela ter um papel tão pequeno em boa parte da trama, permite ao espectador sentir esperança crescendo paralelamente à trama principal. Outros grandes acertos são Hugh Jackman e Anne Hathaway.
Gente, o fato de o filme ser sem playback me faz amar Annie ainda mais. Que performance! Ela está simplesmente SENSACIONAL e saiu-se PERFEITA ao interpretar "I Dreamed a Dream". Hugh Jackman também arrasa e nos momentos iniciais do filme está absolutamente irreconhecível. Já Russell Crowe é meio decepcionante. Não acertou as notas altas de seus números e dá umas boas rateadas vez ou outra.
Com seus erros e acertos, "Os Miseráveis" é sem sombra de dúvidas um must see e entra na minha lista de preferidos, apesar dos erros de direção.

