Sinopse: Rainer Wegner, professor de ensino médio, deve ensinar seus alunos sobre autocracia. Devido ao desinteresse deles, propõe um experimento que explique na prática os mecanismos do fascismo e do poder. Wegner se denomina o líder daquele grupo, escolhe o lema “força pela disciplina” e dá ao movimento o nome de A Onda. Em pouco tempo, os alunos começam a propagar o poder da unidade e ameaçar os outros. Quando o jogo fica sério, Wegner decide interrompê-lo. Mas é tarde demais, e A Onda já saiu de seu controle. Baseado em uma história real ocorrida na Califórnia em 1967.
Marcos Antonio:
"E assim nasceu Hitler..."
Não há outra forma de iniciar a crítica de "A Onda" sem ser dizendo que este é, sem dúvida alguma, um dos melhores filmes a que tive oportunidade de assistir. Não só pelo filme em si, mas por toda a história que ele carrega, por tudo o que tem por trás do filme.
Dirigido por Dennis Gansel, "A Onda" é um filme alemão baseado numa história real ocorrida em Palo Alto, CA, Estados Unidos, em 1967. Nesta segunda versão cinematográfica - já houve uma em 1981 -, a trama é transportada para a Alemanha e o ano é 2008. O filme conta basicamente a história de um professor que, ao tentar explicar a origem do Nazismo e a forma como as pessoas aderiram ao regime, forma um grupo chamado "A Onda" (The Third Wave, na história real). O grupo acaba crescendo descontroladamente e os alunos passam, inclusive, a usar de violência contra seus opositores. Na história real, Ron Jones, o tal professor, na verdade, faz um experimento com esses alunos. No filme, Rainer Wegner apenas forma o grupo para mostrar como pode surgir um regime fascista ainda nos dias de hoje, mesmo depois de tudo o que o mundo já viveu durante a Segunda Guerra Mundial.
Técnicamente falando, o filme foi muito bem executado. O roteiro, apesar de baseado numa história do fim da década de 60, é muito atual e foi transplantado pro século XXI de maneira brilhante. Além disso, apesar de no princípio a história parecer se arrastar um pouco, de repente ela adquire um ritmo alucinante e, ainda assim, consegue contar tudo sem deixar furos ou pontos desconexos.
A trilha sonora é perfeita. Aliás, poucas vezes eu vi uma trilha tão precisa como vi em "A Onda". A trilha é atual, jovem e aparece nos momentos certos e sem se sobrepor ao que está acontecendo em cena. Além da trilha, complementa o conjunto da obra a fotografia. O diretor de fotografia foi muito feliz na escolha das paletas de cores e muito detalhista. O detalhe que mais me impressionou foi a composição das salas de aula. Explico. Na história, há dois professores que se contrapõem: um é o protagonista da trama com seu ar hippie e camiseta do Ramones e o outro é um professor mais conservador. Um da aula no andar de baixo e o outro na sala de aula logo acima. Percebam que uma única parede faz toda a diferença na retratação dos dois ambientes. Na sala do professor conservador, todas as paredes são brancas e isso salta na tela e demonstra a frieza do ambiente, que acompanha a personalidade do personagem. Já na outra sala, há uma parede verde-limão no fundo. Acreditem! Na sequência em que as duas salas são mostradas uma após a outra, esse pequeno detalhe faz uma diferença tremenda. Parabéns aos diretores de arte e de fotografia!
O fato é que "A Onda" é um filme que merece ser visto pela sua qualidade, mas também pela crítica social que faz. O longa mostra de maneira clara a facilidade com que as pessoas podem abrir mão daquilo que lhes é peculiar pra fazer parte do todo, pra se integrar a um grupo X ou Y que está na moda. Além disso, o filme permite entender de maneira clara como pode ser fácil a implantação de um regime fascista ainda nos dias de hoje, com toda a informação a que temos acesso.
Dennis Gansel está de parabéns! Aliás, é preciso dizer que o diretor foi primoroso em sua direção. Cinquenta por cento do elenco era de atores profissionais e os outros cinquenta eram pessoas reais, jovens de verdade que frequentam escolas e que poderiam ter vivido, de fato, aquela experiência. Além disso, com o intuito de recriar com naturalismo a história, antes de iniciarem as filmagens, os alunos passaram duas semanas convivendo na mesma sala de aula para dar mais realismo à trama. Inclusive, uma das personagens principais do longa, a jovem Lisa, é Cristina do Rego, atriz brasileira de 24 anos que mora na Alemanha desde criança. Pra compôr sua personagem, ela conta que voltou à escola pra pesquisar o comportamento de alunos em grupo. Traduzindo, um trabalho realmente primoroso de elenco e direção que resultou num belíssimo filme.
ASSISTAM!
Marcos Antonio | Júnia | ||
Direção: | 9,5 | Direção: | |
Roteiro: | 10,0 | Roteiro: | |
Fotografia: | 9,5 | Fotografia: | |
Trilha Sonora: | 9,5 | Trilha Sonora: | |
Efeitos Visuais: | - | Efeitos Visuais: | |
Caracterização: | 10,0 | Caracterização: | |
Nota Geral: | 9,7 | Nota Geral: | |
