Finalizando o nosso especial sobre o Homem-Morcego, vamos falar sobre o último diretor a se aventurar com a franquia: Christopher Nolan.
Nolan assumiu a cinessérie em 2005, concluindo-a em 2012 com "O Cavaleiro das Trevas Ressurge", que, a propósito, ainda está em cartaz no Brasil. Sem sombra de dúvidas, foi nas mãos dele que a franquia mais arrecadou; no entanto, apesar do estrondoso sucesso dos três longas, Nolan já afirmou que não vai dirigir mais nenhum filme sobre o super herói.
Batman Begins (2005):
O primeiro filme se trata de um reboot da franquia e não guarda qualquer relação com nenhum dos outros filmes já feitos (
Nolan assumiu a história meio por acaso. Na verdade, o diretor estava se preparando para filmar um longa sobre Howard Hughes e já tinha até escolhido seu protagonista, Jim Carrey. Mas aí, recebeu a notícia de que Martin Scorsese já estava filmando "O Aviador" e acabou, como ele mesmo diz, resolvendo filmar sobre um outro milionário excêntrico - Bruce Wayne.
Nolan trouxe uma nova cara à franquia. Abandonando de vez o "freak show" de Tim Burton e o carnaval de Joel Schumacher, ele traz um Batman muito mais real e complexo, focando, neste primeiro filme, nos acontecimentos que levaram Bruce Wayne a se transformar no Homem-Morcego.
O roteiro nos mostra um Wayne ainda atormentado pelo assassinato dos pais, vivendo no Oriente como um ladrão, buscando entender a mente criminosa. Na prisão, ele é recrutado por Henri Ducard (Liam Neeson), que promete ajudá-lo em sua busca e apresenta-lhe a "Liga das Sombras" e seu líder Ra's al Ghul. No meio do caminho, a trama mostra todo o processo de transformação de Wayne e o treinamento que o tornou um exímio lutador, pronto para combater o crime em sua cidade natal, Gothan City.
"Batman Begins" nos apresenta uma Gothan City bem menos gótica e caricata que as outras, mas completamente dominada pelo crime organizado e pela corrupção dos políticos. Nesse cenário, juntam-se a Christian Bale um elenco de coadjuvantes de primeira: Gary Oldman como Comissário Gordon; Michal Caine como o fiel mordomo Alfred; Morgan Freeman como Lucius Fox e Kate Holmes como Rachel Dawes, interesse romântico de Wayne na história.
A ex-senhora Tom Cruise nunca foi lá uma atriz brilhante, mas é competente ao defender o papel de mocinha engajada na luta contra o crime. Já Gary Oldman saiu-se bem como Comissário Gordon, além de ser bastante interessante vê-lo como alguém íntegro, diferente dos pervertidos que ele costuma interpretar. Michael Caine e Morgan Freeman estão perfeitos em seus personagens e assumem a responsabilidade pelos diálogos que dão maior leveza à trama, bem como o tom mais cômico da história.
O grande destaque mesmo fica a cargo de Christian Bale, que interpreta um Bruce Wayne irretocável. Bale consegue transmitir todo o conflito interno do personagem de maneira brilhante. O ator é extremamente competente ao demonstrar toda a tridimensionalidade de um Bruce Wayne muito mais denso e contundente do que todos os outros. Ele consegue distanciar de maneira impressionante o Bruce Wayne, playboy e filhinho de papai, do Batman, super herói disposto a exterminar a corrupção e o crime organizado. Sem medo de errar, digo que o Bruce Wayne de Christian Bale está mais convincente que o de qualquer outro ator, o que não é nenhuma surpresa pra quem conhece o trabalho dele.
Em relação aspectos técnicos, o longa também não deixa a desejar. O roteiro é extremamente bem trabalhado e contém as doses certas de ação e drama com uma pitada de comicidade. A trama não deixa fios soltos e permite que o espectador entenda e se identifique com os personagens, embora se trate de um blockbuster sobre um super herói.
A fotografia concorreu ao Oscar em 2006, mas foi vencida por "Memórias de uma Geisha". As paletas de cores combinam com o tom da trama e não deixa falhas. Na minha opinião, o que podia melhorar é o jogo de câmeras. As cenas de ação capricham nos cortes rápidos e na câmera tremida, deixando-as um tanto quanto confusas, embora bem executadas. Um ponto a se destacar é o uso moderado dos efeitos especiais. É bom ver cenas bem executadas com efeitos práticos e dublês de carne e osso trabalhando sem o abuso da tecnologia pra causar impacto em tela. Por fim, a trilha sonora foi bem elaborada e bem executada, no entanto, o trabalho de Hans Zimmer não teve nenhum destaque tão memorável como o de Danny Elfman nos dois filmes de Tim Burton.
"Batman Begins" foi um excelente começo pra uma franquia de um super herói tão popular e pra não me alongar, a terceira parte do Especial será dividida em mais duas partes, já que são muitos os comentários a fazer, o que deixaria a matéria ainda maior.


