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| "Eu amo as pessoas que me fazem rir. Sinceramente, acho que é a coisa que eu mais gosto, rir. Cura uma infinidade de males. É provavelmente a coisa mais importante em uma pessoa". (Audrey Hepburn) |
É muito prazeroso, e ao mesmo tempo muito difícil falar de uma pessoa que nós admiramos. Sinto essa sensação conflitante sempre quando escrevo sobre alguém que é importante pra mim. No rol de seres humanos brilhantes que eu cultivo um carinho especial esta essa excelente atriz, linda mulher e divina dama, Audrey Hepburn.
Diferentemente (ou igualmente, quem sabe?) de muitas pessoas tenho um verdadeiro pavor das festas de final de ano. Natal e Ano novo são pra mim pior que uma sessão de tortura em uma certa ilha do Caribe. Se dependesse única e exclusivamente de mim, eu dormiria dia 23 de Dezembro e só acordaria dia 2 de Janeiro. Porem, como essa proeza não é possível, eu sou obrigado a lidar com essas duas datas inevitáveis.
Como faço então?
Nos últimos sete anos eu me isolo. Não gosto de viajar para casa de parentes e ter que aguentar aquele rolando lero desgraçado e insuportável, sentado no sofá da sala, rodeado de parentes que eu não gosto, e ouvir aquelas felicitações falsas de gente que mete o pau em você durante o ano todo. Como minha mãe adora viajar nesse período eu acabo ficando sozinho em casa. Vou aos centros do comercio me deliciar com as belezas do capitalismo, e compro coisas que me fazem gozar de um prazer inigualável, DVDs, livros, posters, discos de vinil, coisas que eu vou incorporando ao longo do ano na minha “lista de aquisições culturais pretendidas”. No final do ano de 2010 eu fui ate uma loja na avenida Paulista e consegui por um preço singelo (para o valor do conteúdo) adquirir um box com sete filmes da Audrey Hepburn. Entre esses filmes estava “A princesa e o plebeu”.
Dizem que o álcool (quando apreciado da forma correta) tem o poder de dar aos homens capacidades que lhe são ausentes enquanto estão sóbrios. Não sei se devido aos efeitos do álcool minha percepção ficou mais aguçada, o fato é que após assistir o filme eu fiquei ainda mais fascinado pela Audrey.
A princesa e o plebeu (Roman Holiday) foi produzido no ano de 1953. Por essa época Audrey Hepburn era uma mera desconhecida. Tinha feito algumas películas pela Europa, mas sem grande sucesso. Na época os produtores do filme consideraram uma temeridade escala-la para o papel de protagonista, a princesa Ann. Mesmo porque ela iria contracenar com um ator que já naquele período era consagrado e muito querido, Gregory Peck.
Audrey, apesar de novata roubou a cena. O que não era anormal, pois ela era uma ótima atriz. Sempre prezou por fazer filmes de qualidade, ao invés de priorizar o dinheiro. Ela é uma das mais ilustres representantes da era de ouro do cinema norte americano. Interpretou personagens que marcaram e são lembradas e festejadas ate hoje como, por exemplo My Fair Lady (1964), pra quem assistiu, como não lembrar dela tão bela e graciosa vendendo flores, logo o inicio do filme.
Cinderela em Paris (1956), onde ela interpreta uma intelectual que trabalha em uma livraria. inexplicável a cena em que aquela galera da moda invade a livraria que ela trabalha pra fazer umas fotos, sem autorização previa da dona da livraria, e a Audrey contrariada com aquela invasão da varias respostas intelectuais de primeira linha:
“Desculpe, mas não posso permitir que tirem fotos aqui. A Dra. Post não concordaria, pois ela desaprova revistas de moda. É uma abordagem irreal e afetada da auto imagem, e também irreal economicamente falando”.
Ou dando noções de direito: “Eu pedi que saíssem, este é meu direito! Se os direitos do individuo não são respeitados pelo grupo, o grupo não pode existir por muito tempo”.
Bonequinha de luxo (1961), a festa épica que ela dá no apartamento dela. Ou aquela cena, em que ela vestindo um roupão encosta a cabeça no peito de George Peppard e dorme um pouquinho. Sorte dos homens que, após uma noite de amor tiveram a privilegio de tê-la nos braços, com a cabeça recostada no peito... hehehe
Sabrina (1954) quando ela pede pra dançar ao som de “Isn't It Romantic”.
Em A princesa e o plebeu também existem varias cenas marcantes, muitas mesmo. Vou destacar duas em especial.
A cena em que a Audrey Hepburn corta o cabelo. Você pode estar se perguntando, isso é cena marcante? É sim! Pois, naquela época essa cena provocou um baita impacto. Como ela tinha o cabelo bem longo (padrão das mulheres na época) o fato dela ter cortado o cabelo bem curtinho foi visto como um gesto de rebeldia, de libertação. Por isso varias mulheres ao redor do mundo seguiram o exemplo da Audrey e também cortaram o cabelo do mesmo modo que ela. Sem contar o fato da Audrey ter ficado ainda mais gata com o cabelo curto.
A segunda cena marcante também trata do cabelo dela. É provável que você leitor esteja pensando que eu sou um fissurado em cabelo feminino. É, sou mesmo. Qual homem não gosta de uma mulher com o cabelo bem cuidado? Acho que não tem um único homem que não atenta pra o cabelo de uma mulher, e que não goste de ficar passando a mão nele em momentos de descontração, como vendo um filme junto com a namorada no sofá da sala. Ou, quem sabe, de puxar o cabelo dela, tem mulheres que gostam, dependendo da ocasião... =D
Nessa cena, durante a fuga de um baile, Gregory Peck e a Audrey Hepburn são obrigados a pular em um lago. Após saírem do lago os dois ficam juntinhos, todo ensopados. Nesse momento a câmera da um close no rosto da Audrey, e mostra o cabelo e o rosto dela molhados, e é simplesmente perfeito. Quando vi esse filme, acho que ainda estava meio “martinizado”*, mas o fato é que minha reação foi pronta, disse a mim mesmo: puta merda, que mulher bonita. E ai eles se beijam pela primeira vez no filme, um beijo bem inocente, típico dos anos 1950, sem malicia, tudo muito sadio. Alias, em todos os filmes dela é possível notar aquele toque que eu chamo de “a época da inocência”. Beijo sem língua, moral e bons costumes, dignidade, ingenuidade, amor pela vida, conservadorismo. Pra muita gente isso pode ser um besteirol, mas eu prezo muito essas coisas, talvez seja por essa razão que eu me ligue tanto nela.
*Martinizado: Adjetivo; situação temporária que provoca reflexos peculiares, alem de alterações mentais e físicas em indivíduos que consomem Martini Bianco, ou derivados.
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| Ai se eu te pego... |
É curioso, mas a meu ver, mulheres ficam muito mais bonitas e sexy com o cabelo molhado. Sabe aquele molhado de chuva? Mulher geralmente tem toda uma preocupação em não deixar a chuva molhar o cabelo. Lembro uma ocasião, em 2005, quando fui me encontrar com uma moça que eu namorava na época, tinha chovido aquele dia, e ela tinha pegado um pouco de chuva, ela estava linda. Engraçado lembrar disso agora, não comentei com ela na época, deveria ter falado.
Posso dizer que a minha passagem de ano de 2010 para 2011 foi, não perfeita, mas seguramente a mais feliz que eu já tive, graças a Audrey. Ok, o Martini também ajudou.
Existem certos seres humanos que eu acredito que tem “estrela”, que não estão aqui por acaso, que são dotados de muito talento e são capazes de realizar coisas que perduram para a eternidade. Audrey Hepburn foi um desses seres humanos.
Na moda, por exemplo, é comum entre os estilistas o emprego do termo “estilo Audrey Hepburn”. Quando uma dama da alta sociedade chega a um ateliê e diz: “Eu quero o estilo Audrey Hepburn”. Pronto! O estilista já sabe exatamente o que ela quer.
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| "O segredo da minha lucidez é não acreditar em juventude eterna". (Audrey Hepburn) |
Na vida pessoal ela também foi exemplo, teve uma vida tranquila, nunca se envolveu em confusões, não tinha qualquer desejo maníaco de aparecer em fotos, de levar uma vida de “celebridade”. Apesar de uma confortável condição financeira ela vivia em uma residência absolutamente modesta na Suíça, onde, infelizmente nos deixou em 1993, prematuramente.
Existe um poema de Henry Longfellow, chamado “Psalm of Life”, em que ele diz:
As vidas dos grandes homens lembram-nos muitas vezes que
Podemos tornar nossas vidas sublimes
E ao partirmos, deixaremos para trás
Pegadas nas areias do tempo
Audrey, deixou suas pegadas... E é legal saber que mesmo ela não estando mais aqui, ela permanecera viva para a eternidade, pois sua obra reflete um legado singular para a civilização humana. Temos os filmes dela para que as pessoas que já a conhecem possam recordar, e aqueles seres humanos que ainda estão por vir, vão poder conhece-la e ver, o quanto a Audrey Hepburn foi especial.
Obrigado, eterna bonequinha de luxo!




