O "Espaço do Leitor" selecionou a crítica enviada por Felipe LC Perruso sobre o documentário de Charles Ferguson, "Inside Job".
Se assim como o Felipe, vc quiser participar do "Espaço do Leitor", encaminhe-nos um e-mail para welike2movieit@gmail.com com o assunto "Espaço do Leitor" e envie-nos sua crítica. Nossa equipe analisará as críticas enviadas e selecionará uma delas para postar aqui no blog, sempre às sextas-feiras.
Participe!
Sinopse: Em 2008, uma crise econômica de proporções globais fez com que milhões de pessoas perdessem suas casas e empregos. Ao todo, foram gastos mais de US$ 20 trilhões para combater a situação. Através de uma extensa pesquisa e entrevistas com pessoas ligadas ao mundo financeiro, políticos e jornalistas, é desvendado o relacionamento corrosivo que envolveu representantes da política, da justiça e do mundo acadêmico.
Felipe:
Michael Moore fez escola. Goste-se ou não do diretor/produtor/apresentador/narrador (robert) - e eu não sou exatamente um fã -, fato é que Moore deu novo fôlego aos documentários nos últimos anos, que ganharam destaque e público. Algumas musiquinhas simpáticas, perguntas capciosas e um tanto de hipocrisia somado a temas polêmicos, como o governo Bush, a Guerra ao Terror e o (patético) sistema de saúde norte-americano contribuíram para tornar os documentários, tradicionalmente maçantes, mais palatáveis ao gosto do grande público.
Seguindo a receita de Michael Moore, Charles Ferguson vale-se da maior crise econômico-financeira desde a Grande Depressão dos anos 1930 para atrair a atenção do público e da mídia.
O tema não poderia ser mais relevante: a crise iniciada em 2007, com o estouro da bolha imobiliária norte-americana, ainda hoje castiga a economia mundial e já é sem dúvida, um dos maiores eventos da História Moderna; a severidade da Crise, por si só, já seria motivo mais que suficiente para tal. A isto, porém, soma-se o fato de que a Crise nasceu no coração do capitalismo mundial e acentuou o processo de multipolarização da economia mundial, marcado pelo declínio dos países desenvolvidos e pela ascensão dos países em desenvolvimento.
Ferguson seguindo a linha sensacionalista de Moore, analisa a Crise pelo lado da corrupção na política, na academia e no sistema financeiro. Se perde em determinado momento, tentando caracterizar Wall Street como um antro de drogas e prostituição habitado por pessoas inconseqüentes e com TPAS – transtorno da personalidade anti-social (mais conhecido como psicopatia) (meu lado psicólogo). Sensacionalista, mas, nem por isso, inverídica a imagem construída por Ferguson. Para mim, pessoalmente, o lado mais rico do documentário é o que analisa a relação que se construiu entre a academia e o sistema financeiro: aquela que deveria propor modelos e soluções acabou subvertida pela lógica do capitalismo financeiro e acabou reproduzindo em papers mil e modelos estocásticos esdrúxulos um sistema que no papel pode até funcionar mas que na realidade, quando estoura, custa os empregos e as vidas de milhões.
Partindo de um nível básico de conhecimento sobre o tema e para quem deseja entender melhor a Crise, Inside Job é, certamente, uma boa alternativa de um pouco de conhecimento a low cost. Ferguson, contudo, ainda tem o que aprender com Moore. Se alongando em algumas entrevistas mais técnicas, o filme se torna cansativo e é impossível não pensar que o documentário seria melhor com alguns minutos a menos (ou sem alguns minutos a mais, como queira...).
Seguindo a receita de Michael Moore, Charles Ferguson vale-se da maior crise econômico-financeira desde a Grande Depressão dos anos 1930 para atrair a atenção do público e da mídia.
O tema não poderia ser mais relevante: a crise iniciada em 2007, com o estouro da bolha imobiliária norte-americana, ainda hoje castiga a economia mundial e já é sem dúvida, um dos maiores eventos da História Moderna; a severidade da Crise, por si só, já seria motivo mais que suficiente para tal. A isto, porém, soma-se o fato de que a Crise nasceu no coração do capitalismo mundial e acentuou o processo de multipolarização da economia mundial, marcado pelo declínio dos países desenvolvidos e pela ascensão dos países em desenvolvimento.
Ferguson seguindo a linha sensacionalista de Moore, analisa a Crise pelo lado da corrupção na política, na academia e no sistema financeiro. Se perde em determinado momento, tentando caracterizar Wall Street como um antro de drogas e prostituição habitado por pessoas inconseqüentes e com TPAS – transtorno da personalidade anti-social (mais conhecido como psicopatia) (meu lado psicólogo). Sensacionalista, mas, nem por isso, inverídica a imagem construída por Ferguson. Para mim, pessoalmente, o lado mais rico do documentário é o que analisa a relação que se construiu entre a academia e o sistema financeiro: aquela que deveria propor modelos e soluções acabou subvertida pela lógica do capitalismo financeiro e acabou reproduzindo em papers mil e modelos estocásticos esdrúxulos um sistema que no papel pode até funcionar mas que na realidade, quando estoura, custa os empregos e as vidas de milhões.
Partindo de um nível básico de conhecimento sobre o tema e para quem deseja entender melhor a Crise, Inside Job é, certamente, uma boa alternativa de um pouco de conhecimento a low cost. Ferguson, contudo, ainda tem o que aprender com Moore. Se alongando em algumas entrevistas mais técnicas, o filme se torna cansativo e é impossível não pensar que o documentário seria melhor com alguns minutos a menos (ou sem alguns minutos a mais, como queira...).
