quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012

Oscar 2012: Os Homens Que Não Amavam As Mulheres/The Girl With The Dragon Tattoo



Sinopse: Harriet Vanger (Moa Garpendal) desapareceu há 36 anos, sem deixar pistas, em uma ilha no norte da Suécia. O local é de propriedade exclusiva da família Vanger, que o torna inacessível para a grande maioria das pessoas. A polícia jamais conseguiu descobrir o que aconteceu com a jovem. Mesmo após tanto tempo, seu tio Henrik Vanger (Christopher Plummer) ainda está à procura e decide contratar Mikael Bomkvist (Daniel Craig), um jornalista investigativo que trabalha na revista Millennium. Bomkvist resolve aceitar a proposta e começa a trabalhar no caso, contando com a ajuda de Lisbeth Salander (Rooney Mara), uma investigadora particular, incontrolável e anti social.

Júnia:

Por ainda não ter tido a oportunidade de assistir à versão sueca de Os Homens que Não Amavam as Mulheres (Män Som Hatar Kvinnor), resolvi dar uma lida em algumas críticas que compararam ambas as adaptações do livro de Stieg Larsson. De forma geral, a versão americana espantou a maioria por não ‘hollywoodizar’ em excesso a obra. Ponto positivo. Outra comparação feita diz respeito ao desfecho (BRILHANTE) da trama que, em comparação a David Fincher, o diretor dinamarquês Niels Arden Oplev explorou pouco. Tendo por base tão somente a versão americana, gostaria de comentar o que eu achei desse filme que recebeu indicações ao Oscar de Melhor Atriz e Melhor Fotografia (veja lista completa dos indicados).

Para mudar um pouco, vou falar primeiro das partes técnicas do filme. A fotografia fez por merecer e não foi indicada à toa ao Oscar. Apesar da história de suspense se passar num lugar frio, o filme não se apoiou apenas nas cenas escuras de inverno e típicas desse gênero. Inclusive (li isso em duas das críticas comparativas), ao contrário de sua versão sueca, as cenas mais importantes da trama são construídas em cenários muito bem iluminados. Ok, isso realmente torna o filme mais cruel pela quantidade de detalhes que NÃO se perdem na claridade. Em compensação, o filme torna-se muito melhor composto.

Trilha sonora quase impecável. Digo ‘quase’ por um pequeno detalhe. Na cena mais importante do filme, o desfecho, o(a) assassino(a) coloca ENYA para tocar enquanto ele(a) se prepara para matar mais uma vítima. ENYA, galera? Ok, ok. Questão de gosto, i guess... Fora isso, forte e marcante. 

Agora, às atuações... Realmente a Rooney está fantástica no papel de Lisbeth Salander. Ela tornou a personagem profunda, misteriosa, traumatizada, problemática e uma típica anti-heroína. Fortíssima candidata para tirar (mais uma vez) a estatueta das mãos de Meryl Streep. Daniel Craig, muito questionado quando foi confirmado para o papel, não decepcionou. Foi equilibrado e deixou toda aquela sensualidade over the top no set de 007 – James Bond. Quem deu show foi o ator Yorick van Wageningen na pele do doentio Nils Bjurma. As cenas mais fortes e violentas contam com sua atuação, que é realmente muito convincente (tão convincente que dá vontade de matá-lo a base de métodos de tortura medieval)

David Fincher (Se7en, O Clube da Luta) fez um trabalho magnífico. Personagens bem exploradas, roteiro adaptado sem falhas e sem pontos mal resolvidos, fotografia espetacular e com direito a uma introdução no melhor estilo David Fincher de ser. Um filme que merece ser visto, apesar de seu conteúdo bastante violento.

Curiosidade que li na crítica escrito por Cesar Augusto Moura ao Jornal do Brasil: De acordo com a viúva de Stieg Larsson, Eva Gabrielsson, o escritor teria testemunhado o estupro coletivo de uma jovem quando este ainda era apenas um adolescente de 14 anos. Sentindo-se culpado por não ter ajudado a jovem de alguma forma, o autor, anos mais tarde, viria a exorcizar o sentimento de culpa criando uma personagem que, pelo menos na ficção, realizaria sua justiça (ou vingança, se preferir), além de servir como ferramenta alegórica de denúncia ao machismo e a violência contra a mulher, ainda tão presentes nas sociedades modernas. O nome da jovem que sofreu o abuso testemunhado por Larsson? Lisbeth.

Em Uma Palavra: WatchYourBackMeryl


Marcos Antonio
Júnia
Direção:

Direção:
9,0
Roteiro:

Roteiro:
10
Fotografia:

Fotografia:
8,5
Trilha Sonora:

Trilha Sonora:
8,0
Efeitos Visuais:

Efeitos Visuais:
9,5
Caracterização:

Caracterização:
9,0
Nota Geral:

Nota Geral:
9,0


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