domingo, 19 de fevereiro de 2012

Oscar 2012: O Artista/The Artist


Em tempos de filmes barulhentos e cheios de efeitos, "O Artista" demonstra que com simplicidade se pode fazer um grande filme. Prova disso, são as 10 indicações ao Oscar, incluindo a de "Melhor Filme" que o longa recebeu.

O longa conta como a invenção do cinema sonoro afetou as histórias de George Valentin e Peppy Miller. Ele, um dos astros mais bem pagos da Hollywood de 1927; ela, uma figurante que sonha um dia virar uma estrela.

Sem sombra de dúvidas, o que mais chama a atenção no filme é o fato de ele ser mudo. Sim, não se ouve as vozes dos personagens e, todas as vezes que as falas são relevantes, surge uma tela preta com as falas logo após elas serem ditas. Uma grande surpresa pra mim. Fui ao cinema achando que o longa seria um tanto quanto enfadonho e o filme superou todas as minhas expectativas.

O roteiro é bastante conciso e muito bem amarrado. No entanto, na minha opinião, pecou no quesito originalidade. Explico. O cerne da história, o grande acontecimento que muda a vida de ambos os personagens, é exatamente o mesmo de "Cantando na Chuva". E este não é o único ponto comum entre as histórias. A cena inicial no cinema lembrou-me muito da mesma cena em "Cantando na Chuva", a solução encontrada no final também foi a mesma de "Cantando na Chuva"; enfim, pra mim, o que diferencia as duas histórias é a maneira como os personagens lidam com a chegada do cinema sonoro, mas o resto é bem próximo.

A trilha sonora é, sem dúvidas, um espetáculo à parte. Por ser a única coisa que o espectador vai ouvir durante o filme todo, a trilha corre um sério risco de se tornar cansativa. Em "O Artista" ocorre exatamente o oposto. A trilha, muitíssimo bem elaborada, toma conta do filme de uma forma impressionante e apaixonante. Poucas vezes ouvi uma trilha sonora tão bem feita e que encaixasse tão bem com um filme. Aliás, Michael Hazanavicius, diretor do longa, pegou emprestada a música de amor que Bernard Herrmann usou em "Um Corpo que Cai" (Vertigo), de Alfred Hitchcok, para uma das cenas românticas de "O Artista".

Os protagonistas, interpretados por Jean Dujardin e Bérénice Bejo, são fantásticos. Os atores se saíram muito bem no desempenho de seus papéis e foram incríveis em passar emoções sem que precisassem de uma só palavra. No entanto, quem se destaca mesmo é Dujardin (que é a cópia do Gene Kelly). Aliás, os atores ensaiaram o número final de dança durante 5 meses, no mesmo estúdio que Gene Kelly e Debbie Reynolds ensaiaram os números de dança de "Cantando na Chuva".

Contudo, quem se destaca mesmo é o pequeno Jack, o cachorrinho de Valentin. O cãozinho está presente em praticamente todas as cenas do longa e, literalmente, rouba todas as atenções para si. Na minha opinião, ele merecia concorrer como "Melhor Ator Coadjuvante". 

Foram usados 3 cachorrinhos para interpretar Jack - Uggie, Dash e Dude -, para que a troca de cachorros não ficasse evidente em cena, os 3 tiveram seus pêlos tingidos igualmente, antes do início das filmagens. Uggie, de 10 anos de idade, fez tanto sucesso, que levou o prêmio "Coleira de Ouro", criado para premiar as melhores performances caninas de Hollywood. O cachorrinho esteve presente na cerimônia do Globo de Ouro, mas não foi convidado para o Oscar. No entanto, há rumores de que ele está treinando uma aparição especial com Billy Crystal, embora a Academia não confirme a afirmação.

O fato é que "O Artista" é o grande favorito da noite e, ao que me parece, vai levar boa parte das estatuetas pra casa. Hazanavicius mostra competência e um cuidado excepcional para que a história saia o mais próximo da realidade possível. Pra quem não sabe, a cena que Valentin estrela um filme do Zorro, é uma cena real do longa "A Máscara do Zorro". Nos close-ups, a imagem de Douglas Fairbanks, grande astro do cinema mudo, é substituída pela de George Valentin. Além disso, no longa não foi usado Zoom em nenhuma cena. Sabe por que? Porque na época o zoom ainda não havia sido inventado!

Pensa que parou por aí? A proporção de tela ("aspect ratio") utilizada no longa foi de 1,33:1, a mesma utilizada nos filmes da época do cinema-mudo. Segundo Hazanavicius, tal proporção favorece o trabalho dos atores, pois eles ocupam toda a tela, deixando-os mais fortes e mais poderosos. Incrível, né?!

"O Artista" é um daqueles filmes pra crítico nenhum botar defeito. Michael Hazanavicius demonstra com maestria como fazer um filme simples, mas com efeitos devastadores sobre o público. Vale a pena ser assistido!

Marcos Antonio
Júnia
Direção:
10,0
Direção:

Roteiro:
8,0
Roteiro:

Fotografia:
10,0
Fotografia:

Trilha Sonora:
10,0
Trilha Sonora:

Efeitos Visuais:
-
Efeitos Visuais:

Caracterização:
9,0
Caracterização:

Nota Geral:
9,4
Nota Geral:


E se você ainda não participou do "Bolão Premiado do Oscar", tá perdendo tempo! Últimos dias para participar, não fique de fora!

Um comentário:

  1. Li diversas críticas sobre "O Artista", mas, sem puxasaquismo barato essa foi uma das melhores. Você pontuou os aspectos mais importantes e soube fazê-lo de forma clara, sutil.

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