O longa, baseado nos quadrinhos do belga Hergé, narra uma das aventuras de Tintin, um adolescente metido à jornalista investigativo que se mete nas maiores confusões para solucionar crimes.
Na minha opinião, uma das maiores injustiças do Oscar® 2012 foi exatamente ter deixado o longa fora da disputa pela estatueta de Melhor Animação, porque, segundo a Academia, abusou da captura digital da performance dos atores. Explico. Segundo a AMPAS (Academy of Motion Picture Arts and Sciences), um filme que utiliza a captura digital não pode ser considerado animação. Para ser enquadrado como tal, o longa teria de ser gravado digitalmente ou com animação tradicional, "stop motion". Enfim, o filme deveria se valer dos métodos tradicionais de animação e não de algo natural, como os movimentos humanos.
Na verdade, trata-se de um enorme preconceito da Academia com este tipo de tecnologia, como já explicamos, por exemplo, no especial sobre Andy Serkis. Eles não reconhecem a tecnologia e foi por isso, inclusive, que, mais uma vez, Serkis ficou fora da disputa pelo Oscar® de Melhor Ator Coadjuvante por seu papel em "Planeta dos Macacos - A Origem".
Eu considero uma enorme injustiça, já que "As Aventuras de Tintin" levou o Globo de Ouro na categoria Animação poucos dias antes de ser liberada a relação de indicados ao Oscar®. Mas, fazer o que, né?!
O filme, dirigido por Steven Spielberg, é primoroso e de uma qualidade ímpar. É de se ficar impressionado com a riqueza de detalhes e o cuidado com que o longa foi feito. O roteiro obedece a uma estrutura bastante tradicional, mas que consegue prender o espectador do começo ao fim. São várias e várias reviravoltas na história e nos envolvemos tanto com a trama que no final já estamos agindo como detetives e buscando a solução do crime.
Spielberg é tão detalhista que pequenos pontos que passariam despercebidos são levados em consideração. Ressalto dois deles: numa das cenas iniciais, após Tintin deixar a miniatura de um navio em sua casa e sair, o quadro vai sendo ampliado, de maneira que o espectador perceba que tem alguém observando a movimentação da casa no prédio em frente. Se observarmos com atenção, perceberemos que, embora a identidade do observador não seja revelada, há no vidro o reflexo de quem está vigiando a casa. Em outro ponto, mais ao final, há uma perseguição de carros. Ao perceber que está sendo seguido, o motorista do carro da frente olha pelo espelho retrovisor e a riqueza de detalhes é tão grande que, nota-se nas laterais do espelho os pontos de sujeira e de embaçamento. Simplesmente FANTÁSTICO.
E as passagens de cena? Gente, em vários momentos do longa, ao invés de simplesmente cortar para a cena seguinte, utiliza-se um recurso que transforma a cena atual na cena seguinte. Impressionante. Por exemplo, ao chegar na África e pousar no Saara, um dos personagens começa a narrar uma história do passado e, de repente, as areias do deserto se transformam na história que ele está contando. É incrível! Fica difícil descrever em palavras o que acontece, só assistindo pra entender do que se trata.
Mas falemos do mais importante, né?! Busquei me atentar principalmente à Trilha Sonora, já que é nesta categoria que o longa concorre e confesso que fiquei maravilhado. A trilha está presente em 99% das cenas. É impressionante como sempre tem uma música tocando e, mais impressionante ainda, ela casa perfeitamente com o que está acontecendo em cena. Aliás, a trilha se encaixa tão perfeitamente que ela simplesmente começa a fazer parte das cenas tanto quanto os personagens.
PERFEITA. Esta é uma daquelas trilhas que vale a pena ouvir. Músicas orquestradas e instrumentais, feitas sob medida para o filme. Aliás, me fez lembrar bastante a trilha de "E.T - O Extraterrestre".
Uma aventura de tirar o fôlego até para o grandinhos. Embora eu ainda não tenha assistido a todos os concorrentes na categoria, sem sombra de dúvidas o longa de Spielberg está no páreo pela estatueta de Melhor Trilha Sonora. Vale a pena assistir ao filme. Recomendo!
