Vou dizer logo. Não sei se eu indicaria "Os Descendentes" ao Oscar não.
O longa, dirigido por Alexander Payne e estrelado por George Clooney, narra a história de Matt King (Clooney), um dos descendentes que dá nome ao filme. Ele e seus primos são donos do último grande terreno verde desocupado do Havaí. São hectares e hectares de terras que pertenceram à realeza havaiana. No entanto, o clã dos King está vendendo as terras numa negociação multimilionária. Ao mesmo tempo, a esposa de Matt King está internada, em coma, e ele se vê obrigado a assumir o controle da casa e das filhas e ainda dirigir as negociações da venda do terreno.
A trama é bastante original, interessante e extremamente factível. Com um roteiro simples, Payne leva o espectador a repensar sua vida, as decisões que tomou e se elas têm realmente valido a pena.
A história é extremamente bem contada, com narração em off de Clooney em alguns momentos e não deixa fios soltos. Mesmo sem ter acompanhado todos os acontecimentos que precederam o ponto em que a história começa, o espectador se sente extremamente bem situado no roteiro, o que é um ponto a favor do longa.
Na minha opinião, o que fez o filme perder vários pontos foram dois quesitos: George Clooney e trilha sonora.
Gente, pensa no desespero que é passar quase duas horas de filme ouvindo músicas instrumentais havaianas! #BORING. Pelo amor de Deus, eu já estava quase implorando pra tocarem "É o Tchan no Havaí" pra ver se dava uma melhorada no negócio! Combinou com o filme? Sim, combinou. Afinal, a trama se passa toda no Havaí. Mas pera lá, minha gente! Escolhessem umas músicas havaianas melhorzinhas, né?! Sinceramente, a trilha sonora estragou o filme pra mim. O roteiro é ótimo, foi extremamente bem dirigido, mas eu não via a hora de sair da sala.
George Clooney, embora tenha cenas excelentes, também não favoreceu a trama. Talvez pra uma pessoa que não acompanhe a vida das celebridades a afirmação não seja tão verdadeira, mas pra quem acompanha e conhece bem o estilo de vida dele (já que a mansão dele é vizinha à minha, em Beverly Hills), o filme serve pra ficar pensando: "George Clooney nunca 'pegaria' uma mulher dessas"; "George Clooney nunca passaria por isso"; "George Clooney nunca teria duas filhas"; "George Clooney nunca teria esses amigos"; "George Clooney não usa essa roupa"; "Que que fizeram pra deixar George Clooney com essa cara de velho?"
Não me convenceu. Embora ele seja responsável por um dos momentos mais bonitos do filme e que foi, de fato, muito emocionante, eu acho que sua presença não agregou valor. Em contrapartida, Shailene Woodley, que interpreta a filha mais velha de Clooney, rouba a cena. A garota conseguiu dar a dose certa de rebeldia e revolta à personagem e saiu-se muitíssimo bem. Aliás, o elenco como um todo, tirando o Clooney, foi muito bem explorado. Nick Krause e Amara Miller foram verdadeiros coringas na trama. Os dois tinham a difícil missão de dar equilíbrio entre drama e comédia e cumpriram perfeitamente sua função.
Um drama com a dose certa de comédia, uma fotografia incrível, história factível e trilha sonora horrível. Vale a pena assistir!
O longa concorre ao Oscar nas categorias: "Melhor Filme"; "Melhor Diretor"; "Melhor Ator" e "Melhor Roteiro Adaptado".
Marcos Antonio | Júnia | ||
Direção: | 9,0 | Direção: | |
Roteiro: | 10,0 | Roteiro: | |
Fotografia: | 9,5 | Fotografia: | |
Trilha Sonora: | 6,0 | Trilha Sonora: | |
Efeitos Visuais: | - | Efeitos Visuais: | |
Caracterização: | 9,0 | Caracterização: | |
Nota Geral: | 8,7 | Nota Geral: | |
Já participou do "Bolão PREMIADO do Oscar do 2012"? Tá perdendo tempo, hein?! Faltam 4 dias pra acabar!
