domingo, 2 de outubro de 2011

O Homem do Futuro


Sinopse: Zero é um cientista genial, mas infeliz, porque há 20 anos foi humilhado publicamente na faculdade e perdeu Helena o grande amor de sua vida. Certo dia, uma experiência acidental com um de seus inventos faz com que ele volte no tempo. Depois da chance de mudar a sua história, Zero retorna ao presente totalmente modificado e se descobre um tremendo canalha, o que só o afastou ainda mais de Helena. Agora, sua chance é voltar novamente no tempo e impedir que ele mesmo altere o presente.

Marcos Antonio:


Um acerto do cinema nacional. "O Homem do Futuro", dirigido por Cláudio Torres, é uma espécie de comédia romântica Sci-Fi. O longa conta a história de um cientista muito rabugento (Wagner Moura) que, ao testar um experimento seu, acaba, sem querer, voltando no tempo. Agora, ele tem a chance de mudar um fato do seu passado que teve reflexos profundos no seu futuro. O que ele não esperava era que essa mudança fosse tornar o seu futuro ainda pior e, com o objetivo de desfazer tudo, ele deve voltar novamente no tempo e convencer a si mesmo a não realizar qualquer modificação.

À primeira vista a história parece um tanto quanto confusa e, de fato, em alguns momentos é. O roteiro de um modo geral é bom, embora tenha uma série de pontos truncados e confusos ao espectador. No entanto, apesar desses erros, Cláudio Torres reuniu elementos que fazem com que os espectadores acabem por esquecer ou, no caso dos mais desatentos, nem perceber tais falhas.

A trama é leve, com sequências bastante engraçadas e possui clara influência de obras como "De volta para o Futuro" e "Efeito Borboleta". O que conta a favor da história é o fato de Cláudio Torres não ter simplesmente reproduzido aspectos das duas histórias, mas ter inserido nelas elementos pessoais, a sua visão dos fatos. Aliás, ele sempre deixou muito claro o fascínio que o tema "viagem no tempo" lhe causa e ele abordou o assunto de uma maneira bem legal e diferente.

O elenco foi muito bem escolhido. Wagner Moura compôs um cientista cheio de trejeitos, caras, bocas e modo de falar um tanto quanto peculiar. Além disso, não podemos nos esquecer que ele interpreta três versões de si e é muito bem sucedido em todas elas. A caracterização dele estava simplesmente fantástica! Ao voltar para 1991 e dar de cara consigo 20 anos mais jovem, ele estava realmente 20 anos mais jovem. O mesmo já não se pode dizer de Gabriel Braga Nunes e Maria Luísa Mendonça. Gente, não é por nada não, mas a situação dos dois já não permite que eles interpretem personagens de 20 anos de idade. Vamo acordar, né, meu povo?! Envelhecer com dignidade é tendência.

Nos quesitos trilha sonora e fotografia, o filme foi muito bem sucedido. A trilha tem como "carro-chefe", vamos por assim dizer, "Tempo Perdido" do Legião Urbana. Tá bom ou quer mais? Ah, quer mais? A trilha conta, além do Legião, com INXS, Radiohead e R.E.M. PERFEITA! Aliás, a trilha incidental faz até com que a gente esqueça do fracasso da trilha instrumental, que foi bastante mal sucedida e não se encaixou em alguns momentos da trama. Enfim... Já a fotografia foi impecável em todos os aspectos. As paletas de cores escolhidas estavam sensacionais! O contraste entre os vários universos do filme é muito bem delimitado, o que  proporciona ao longa um grande ganho. Além disso, em conjunto com a fotografia, temos o pessoal dos efeitos especiais, que foram tão bem feitos que merecem um parágrafo a parte. 

Provavelmente, "O Homem do Futuro" teve os melhores FX de todos os filmes brasileiros que já vi. Constata-se isso desde os momentos mais óbveis até os que não são tão óbveis assim. Comecemos pelos efeitos mais "implícitos", vamos chamá-los assim. O grande destaque, na minha opinião, fica por conta do prédio em que fica a empresa "Homem do Futuro". O prédio não é real, mas em momento algum deixa de ser convincente. No entanto, quem rouba a cena mesmo são os efeitos mais explícitos: PERFEITOS! Sério, dignos de Hollywood. Além das "desmolecularizações", que foram fantásticas, as camadas que reúnem Wagner Moura em três versões na mesma cena estão irretocáveis. Vale ressaltar que um erro na sobreposição das camadas poderia ser fatal e deixar as cenas muito artificiais, o que não aconteceu. Um grande avanço num aspecto em que filmes brasileiros costumam falhar bastante.

Uma história leve, com, pasmem, um único palavrão durante o filme todo e nenhuma cena de nudez explícita. Juro! Enfim... Um filme bem tranquilo, bem leve, sim, com alguns erros de execução, mas que não atrapalham substancialmente o resultado final. Vale a pena assistir!

Marcos Antonio
Júnia
Direção:
7,5
Direção:

Roteiro:
6,0
Roteiro:

Fotografia:
8,0
Fotografia:

Trilha Sonora:
8,0
Trilha Sonora:

Efeitos Visuais:
8,5
Efeitos Visuais:

Caracterização:
10,0
Caracterização:

Nota Geral:
8,0
Nota Geral:
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