quinta-feira, 24 de novembro de 2011

ESPECIAL: Charlie Chaplin



Nome: Charles Spencer Chaplin
Nascimento: 16 de abril de 1889
Morte: 25 de dezembro de 1977
Cidade natal: Londres
Pai: Charles Spencer Chaplin Sr.
Mãe: Hannah Chaplin
Irmão: Sydney Chaplin
Profissão: ator, diretor, produtor, comediante, dançarino, roteirista e músico.



O Instituto Tomie Ohtake, localizado aqui na cidade de São Paulo, abriu espaço para a exposição "Charles Chaplin e Sua Imagem”. A exposição reúne raro material diretamente do acervo da família, conduzindo o espectador ao fascinante universo criativo de Chaplin. Por meio de filmes, projeções, fotografias, cartazes, manuscritos, o curador Sam Stourdzé coloca uma lente sobre a vida e a produção deste criador de imagens que iluminaram a cena da sociedade moderna e se mantêm atemporais ao denunciarem questões latentes na humanidade. 20 OUTUBRO A 27 NOVEMBRO 2011 – ainda dá tempo! (Acesse o site)

Foi também ao ar na terça-feira, 15 de novembro de 2011, pelo programa Starte, da GloboNews, um especial sobre a vida e a obra desse ícone do cinema mudo das décadas de 20, 30 e 40. (Veja vídeo)

Inspirados pela exposição e pelo programa Starte, a equipe do We Like to MOVIE it resolveu fazer um breve apanhado da história fascinante e única do homem que, apesar de ter levado uma vida sofrida, deixou lições profundas e universais para a geração da época e para as gerações seguintes... Muitas vezes sem usar o poder que as palavras tem.

Com cerca de 18 anos, Chaplin resolveu apostar no campo artístico da comédia. Em 1910, foi aos Estados Unidos durante a turnê de "A Night in an English Music Hall". O sucesso do jovem em meio às plateias americanas foi tamanha que 2 anos depois a turnê foi repetida. Durante um dos shows da turnê, Charlie foi observado por Mack Sennett, que em 1913 o contratou para seu estúdio, a Keystone Film Company. Sua desconhecida e bastante criticada estréia no cinema foi no curta-metragem Making a Living, do mesmo ano.

Em 1914, no curta Kid Auto Races at Venice, Chaplin dá luz à personagem que se tornaria tão famosa quanto ele mesmo: o Vagabundo. Carlitos, como ficou conhecido no Brasil, é um andarilho pobretão que possui todas as maneiras refinadas e a dignidade de um cavalheiro. Aparece sempre vestindo um paletó apertado, calças e sapatos desgastados e mais largos que o seu número, e um chapéu-coco. Carrega uma bengala de bambu e possui um pequeno bigode-de-broxa.

Depois da Keystone, Chaplin teve uma passagem de 3 anos pelos estúdios Essanay, que lhe renderam 15 curtas. Durante os 2 anos passados no estúdio Mutual, foram 12 curtas. Entre 1918 e 1923, já na First Nacional, Chaplin dirigiu e estrelou 9 curtas da produtora. Neste último ano, Chaplin começou a lançar seus filmes através da United Artists e a partir daí, todos os seus filmes são longas-metragens.

Foi na United Artists que Charlie alcançou reconhecimento mundial, destaque para os filmes a seguir, que merecem ser mencionados:

1 – O Circo - The Circus (1926)

O Vagabundo acaba indo parar em um circo enquanto fugia da polícia, que o confundira com um ladrão de carteiras. Ele sem querer acaba entrando no espetáculo e fazendo grande sucesso com o público, sendo logo contratado pelo dono, que irá se aproveitar dele. Ele ainda arranja tempo para se apaixonar pela acrobata, filha desse mesmo proprietário.
Recebeu um Oscar honorário da Academia por sua versatilidade e geniosidade na atuação, roteiro, direção e produção.


2 – Tempos Modernos - Modern Times (1936)

Um operário de uma linha de montagem, que testou uma "máquina revolucionária" para evitar a hora do almoço, é levado à loucura pela "monotonia frenética" do seu trabalho. Após um longo período em um sanatório ele fica curado de sua crise nervosa, mas desempregado. Ele deixa o hospital para começar sua nova vida, mas encontra uma crise generalizada e equivocadamente é preso como um agitador comunista, que liderava uma marcha de operários em protesto. Simultaneamente uma jovem rouba comida para salvar suas irmãs famintas, que ainda são bem garotas. Elas não tem mãe e o pai delas está desempregado, mas o pior ainda está por vir, pois ele é morto em um conflito. A lei vai cuidar das órfãs, mas enquanto as menores são levadas, a jovem consegue escapar.

3 – O Grande Ditador - The Great Dictator (1940)

Adenoid Hynkel (Charles Chaplin) assume o governo de Tomainia. Ele acredita em uma nação puramente ariana e passa a discriminar os judeus locais. Esta situação é desconhecida por um barbeiro judeu (Charles Chaplin), que está hospitalizado devido à participação em uma batalha na 1ª Guerra Mundial. Ele recebe alta, mesmo sofrendo de amnésia sobre o que aconteceu na guerra. Por ser judeu, passa a ser perseguido e precisa viver no gueto. Lá conhece a lavadora Hannah (Paulette Goddard), por quem se apaixona. A vida dos judeus é monitorizada pela guarda de Hynkel, que tem planos de dominar o mundo. Seu próximo passo é invadir Osterlich, um país vizinho, e para tanto negocia um acordo com Benzino Napaloni (Jack Oakie), ditador da Bacteria.
Indicado a 4 Oscars: Melhor Ator Principal, Melhor Atriz Coadjuvante, Melhor Fotografia e Melhor Música Original.

Chaplin nunca explicou detalhadamente seus métodos de filmagem, alegando que tal coisa seria o mesmo que um mágico revelar seus truques. Na verdade, Chaplin nunca começou a filmar a partir de um roteiro completo. O método que ele desenvolveu, foi a partir de uma vaga premissa - por exemplo, "Carlitos entra em um spa" ou "Carlitos trabalha em uma loja de penhores". 

Ele tinha cenários já construídos e trabalhava com seu elenco estático para improvisar piadas em torno das premissas, quase sempre pondo as idéias em prática na hora das filmagens. Enquanto algumas idéias eram aceitas e outras rejeitadas, uma estrutura narrativa começava a emergir, muitas vezes exigindo que Chaplin refilmasse uma cena já concluída que poderia ir contra o enredo.

Esta é uma razão pela qual Chaplin levou muito mais tempo para concluir seus filmes do que seus rivais. Além disso, Chaplin era um diretor extremamente exigente, mostrando a seus atores exatamente como eles deveriam atuar e filmando dezenas de tomadas até conseguir a cena que ele queria.

Terminaremos esse especial com um pequeno trecho do monólogo inspirador escrito por Charlie Chaplin e que foi inserido no longa "O Grande Ditador". O monólogo revela fielmente a personalidade e as idéias que o cineasta defendeu até o fim de sua vida:
"O caminho da vida pode ser o da liberdade e da beleza, porém nos extraviamos. A cobiça envenenou a alma dos homens... levantou no mundo as muralhas do ódio... e tem-nos feito marchar a passo de ganso para a miséria e os morticínios. Criamos a época da velocidade, mas nos sentimos enclausurados dentro dela. A máquina, que produz abundância, tem-nos deixado em penúria. Nossos conhecimentos fizeram-nos céticos; nossa inteligência, empedernidos e cruéis. Pensamos em demasia e sentimos bem pouco. Mais do que de máquinas, precisamos de humanidade. Mais do que de inteligência, precisamos de afeição e doçura. Sem essas virtudes, a vida será de violência e tudo será perdido.” (Clique aqui para ler na íntegra)

Mais do que um cineasta, um homem de ideais e de idéias que marcaram e influenciaram de forma brilhante a história do cinema.

Júnia
Comentários
0 Comentários

Nenhum comentário:

Postar um comentário