Sinopse: As irmãs mexicanas Maya (Pilar Padilla) e Rosa (Elpidia Carrillo) estão trabalhando em um centro comercial nos Estados Unidos na área de limpeza. Mas Sam (Adrien Brody), um ativista americano, ameaça as duas a perderem seus empregos e a permanência nos Estados Unidos.
Marcos Antonio:
"Pão e Rosas" é muito mais que um filme, é uma verdadeira crítica social que excede a todas as expectativas. Seu grande trunfo é, sem sombra de dúvidas, o roteiro, que deixa todos os demais aspectos técnicos pouco relevantes. Dirigido pelo inglês Ken Loach, o longa foi o primeiro filme dele rodado nos Estados Unidos e a trama se passa num edifício empresarial em que todos os funcionários da limpeza são imigrantes - a maioria deles, diga-se de passagem, ilegal.
O longa foge de todos os clichês hollywoodianos e tem um caráter político bastante forte, o que faz com que a maioria torça o nariz pra ele, explicando a pouca visibilidade dada ao filme. Além disso, a trama apresenta vários traços marxistas em seu discurso e fala de uma maneira profunda e muito bem explorada da luta de classes.
Maya é uma imigrante ilegal que chega aos Estados Unidos com a ajuda da irmã mais velha. Lá, ela começa a trabalhar como faxineira de um grande edifício, onde conhece Sam (Adrien Brody, vencedor do Oscar de melhor ator por "O Pianista"), um sindicalista que pretende, por meio da luta, conseguir melhores condições para os funcionários do edifício. Influenciada pelas ideias de Sam, Maya, ao presenciar verdadeiras atrocidades contra os colegas de trabalho, passa a difundir as ideias do movimento entre os funcionários, encontrando apoio em alguns deles, mas também forte oposição.
Loach trata o assunto de maneira muito verdadeira e explora com propriedade todos os conflitos, pessoais ou não, por que passam as pessoas naquela situação. Com um elenco de atores desconhecidos, mas muito competentes, o diretor faz um filme realmente memorável, não pelos aspectos técnicos, mas pelas reações provocadas no público.
Eu recomendo não apenas para aqueles que estiverem em busca de um bom filme, mas para aqueles que querem entender um pouco mais dos ideiais marxistas, explorados com muita clareza e facilmente identificáveis. Vale a pena, principalmente porque o longa mostra que a luta de classes não é uma fábula, ela ainda existe e está mais próxima do que imaginamos.
Uma bela história com personagens tangíveis, trama factível e soluções naturais, nada forçadas. Pelo desfecho, Loach demonstra extrema maturidade por não precisa chocar o espectador para transmitir sua mensagem e defender seus ideais. Um filme forte, sem ser apelativo.
Marcos Antonio | Júnia | ||
Direção: | 8,0 | Direção: | |
Roteiro: | 8,7 | Roteiro: | |
Fotografia: | 7,0 | Fotografia: | |
Trilha Sonora: | 7,3 | Trilha Sonora: | |
Efeitos Visuais: | - | Efeitos Visuais: | |
Caracterização: | 7,0 | Caracterização: | |
Nota Geral: | 7,6 | Nota Geral: | |
