segunda-feira, 7 de novembro de 2011

Tiros em Columbine/Bowling for Columbine


Sinopse: Tiros em Columbine tem em seu leque de assuntos vários tópicos abordados por Michael Moore. Entre eles, o primeiro seria os massacres com armas de fogo realizados por jovens nos Estados Unidos em diversas universidades e instituições de ensino médio; o segundo seria a facilidade com que as pessoas compram armas e como a sociedade norte-americana integra-as em seu dia-a-dia. Oscar de Melhor Documentário, ganho com um discurso que abalou muita gente.

Marcos Antonio:

“Uau. Em nome de nossos produtores Kathleen Glynn e Michael Donovan, do Canadá, eu gostaria de agradecer a Academia por isso. Eu convidei meus colegas documentaristas indicados para o palco conosco, e nós gostaríamos de - eles estão aqui em solidariedade comigo porque nós gostamos de não-ficção. Nós gostamos de não-ficção e vivemos em tempos fictícios. Nós vivemos no tempo em que temos eleições de resultados fictícios que elegem um presidente fictício. Nós vivemos em um tempo em que nós temos um homem nos mandando à guerra por razões fictícias. Se é a ficção da fita isolante ou a ficção dos alertas laranjas nós estamos contra essa guerra, Senhor Bush. Que vergonha, senhor Bush, que vergonha. E a qualquer momento em que você tem o Papa e as Dixie Chicks contra você, seu tempo acabou. Muito obrigado.”

E foi com este discurso que Michael Moore agradeceu pelo Oscar 2003 na categoria "Melhor Documentário" por "Tiros em Columbine".
Na minha opinião, Moore com sua genialidade e sua incrível capacidade de pressionar qualquer um durante uma entrevista, revolucionou um gênero que, na maioria das vezes, é visto como entediante.

"Tiros em Columbine", ao contrário do que se possa imaginar, não é um documentário que narra todos os momentos de aflição vividos pelos alunos da escola de Ensino Médio que foi palco de acontecimentos trágicos em 1999. Moore aborda vários assuntos ao longo dos 123 minutos de duração e interliga-os de maneira brilhante.

O foco principal do diretor é explicar as origens do comportamento violento norte-americano e mostrar como o porte de arma tornou-se tão comum nos Estados Unidos. Além disso, o diretor aborda temas como o 11 de setembro, o papel da mídia para a perpetuação de um pânico relacionado à violência que, na verdade, não deveria existir, já que o índice de violência urbana nos Estados Unidos tem diminuído nos últimos anos. Aliás, ao usar o Canadá como exemplo para explicar um de seus pontos de vista, Moore deixa qualquer um estarrecido. Eu mesmo fiquei muito surpreso com o que vi.

É impossível não manter-se vidrado com o longa. Moore mistura a comédia, o drama e o jornalismo de uma maneira impressionante, embora eu ache que ele tenha exagerado um pouco na dramaticidade quando Charlton Heston encerra sua entrevista depois de ser encurralado por Moore. Heston é um famoso ator norte-americano e vice-presidente da NRA (National Riffle Association). A entrevista é, sem dúvidas, um dos grandes momentos do documentário.

Fora a entrevista de Charlton Heston, ainda há outros dois momentos bastante interessantes: num deles, Moore leva duas das vítimas do ocorrido em Columbine à sede da Walmart (a maior rede de supermercados do mundo e local onde foram adquiridas as balas usadas na escola) para pedir ao presidente que parem de vender munições em suas lojas. Num primeiro momento, eles não recebem atenção, mas quando as empresas de TV começam a se juntar em frente à sede da empresa e a noticiar a visita de Moore e dos dois garotos, eles conseguem a promessa da empresa de que vai retirar todo e qualquer tipo de munição de suas lojas - armas de fogo são comercializadas pelo Walmart desde 1993. Num outro momento, ele mostra cenas de várias guerras em que os Estados Unidos participaram direta ou indiretamente, incluindo vários assassinatos de representantes eleitos democraticamente. Nesse trecho, Moore demonstra como os próprios Estados Unidos financiaram abertamente o Iraque de Saddam Hussein e o Afeganistão de Osama Bin Laden. Diga-se de passagem, Bin Laden recebeu treinamento dos Estados Unidos. O pequeno filme termina com os seguintes dizeres: "11 de setembro de 2001: Osama Bin laden usa todo o investimento dado pelos EUA para destruir um dos maiores símbolos do capitalismo atual".

"Tiros em Columbine" é uma verdadeira revolução no gênero e Michael Moore um gênio. Um documentário que vale a pena ser assistido e debatido. Recomendadíssimo!

Marcos Antonio
Júnia
Direção:
9,0
Direção:

Roteiro:
9,3
Roteiro:

Fotografia:
8,7
Fotografia:

Trilha Sonora:
9,0
Trilha Sonora:

Efeitos Visuais:
8,8
Efeitos Visuais:

Caracterização:
-
Caracterização:

Nota Geral:
9,0
Nota Geral:


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