segunda-feira, 7 de novembro de 2011

A Pele que Habito/La Piel que Habito


Sinopse: Richard Ledgard é um cirurgião plástico que após a morte da sua mulher num acidente de carro se interessa pela criação de uma pele com a qual poderia tê-la salvo. Doze anos depois, ele consegue cultivar esta pele em laboratório, aproveitando os avanços da ciência e atravessando campos proibidos como os da transgenese com seres humanos. No entanto, este não será o único delito que o cirurgião irá cometer.

Júnia:

Antes de mais nada, gostaria de avisar que serei o mais genérica e superficial possível para que a trama do filme não seja comprometida. Para os que pretendem assistir a essa obra de arte do cinema espanhol, é importante que nenhum detalhe seja revelado antes da hora. Agora, prossigamos. 

Pela mãe do guarda, do carteiro e do cobrador! Fãs do diretor Almodóvar, esqueçam tudo o que sabem sobre o diretor! No lugar de uma figura feminina como principal, Antonio Banderas. No lugar dos habituais tons fortes e vermelhos da fotografia, tudo azul e cinza. No lugar da paixão, a frieza calculista.

Mas não se preocupem, queridos fãs. A característica principal do diretor não foi perdida: a sua genialidade. A não linearidade explorada pelo espanhol é fantástica. Em meio a idas e vindas na história, as peças vão se encaixando e o filme torna-se muito mais surpreendente e envolvente do que se esperava. O que antes parecia não fazer o menor sentido torna-se, de uma hora pra outra, essencial para a resolução da trama. 

Apesar de ter lido críticas, devo discordar totalmente: o ponto mais forte do filme é, sem sombra de dúvidas, o seu roteiro. A minha pobre e mortal imaginação jamais alcançará como Almodóvar (diretor e também roteirista) conseguiu criar algo de tal nível, de tal profundidade. Não há furos, não nada sem explicação, não há nada sem solução. Isso, aliado a não linearidade maravilhosamente adotada, engrandeceu o filme de forma inquestionável. Uma história forte e doentia, devo admitir. Para apreciá-la, é preciso assistir ao filme de mente aberta. Sem muitas expectativas ou preconceitos.

No quesito atuações, nenhum erro. Antonio Banderas, Elena Anaya, Marisa Paredes e Blanca Suárez chamaram a atenção pela expressividade e intensidade que derramaram durante cada cena. Personagens problemáticas, mal resolvidas e misteriosas.

O filme é eclético. Tem pitadas de terror, de suspense e de drama. É o rompimento do estilo que antes imaginava-se ser previsível de Almodóvar. Paradoxal. Belo e cruel. Bem pausado e intenso. 

Em uma palavra: SimplesmenteBrilhante. 



Marcos Antonio
Júnia
Direção:

Direção:
10
Roteiro:

Roteiro:
10
Fotografia:

Fotografia:
8,0
Trilha Sonora:

Trilha Sonora:
7,5
Efeitos Visuais:

Efeitos Visuais:
9,0
Caracterização:

Caracterização:
8,0
Nota Geral:

Nota Geral:
9,0


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