Dando continuidade ao "Especial Batman", vamos falar de mais dois filmes da cinessérie, dessa vez, dirigidos por Joel Schumacher.
Os longas, "Batman Eternamente" (Batman Forever - 1995) e "Batman e Robin" (Batman & Robin - 1997), foram produzidos por Tim Burton e contaram com Schumacher na direção. Pra que vocês tenham uma ideia prévia do rumo que as críticas vão tomar, Schumacher levou o "Framboesa de Ouro" de pior diretor por "Batman & Robin". Precisa falar mais?
"Batman Eternamente" (1995):
O Homem-Morcego está de volta, agora vivido por Val Kilmer, já que Michael Keaton não aceitou o papel. Os vilões da vez são: Duas-Caras, vivido por Tommy Lee Jones e Charada, interpretado pelo ridículo Jim Carrey. Completam o elenco principal: Nicole Kidman (Dra. Meridian), Chris O'Donnell (Dick Grayson/Robin) e Michael Gough (Alfred).
O longa, apesar do sucesso nas bilheterias, foi, na minha opinião, uma porcaria. A Warner achou o último longa de Tim Burton muito sombrio e resolveu mudar o tom da trama. Por isso, Burton foi relegado ao papel de produtor e Schumacher assumiu a cadeira de direção.
A formação do elenco foi uma verdadeira "dança das cadeiras" e vários atores foram considerados para assumir os papéis principais. Após a recusa de Michale Keaton, Daniel Day-Lewis, Ralph Fiennes, William Baldwin e até Johnny Depp foram considerados para o papel-título do longa. Após a substituição de Keaton por Val Kilmer, Rene Russo, que intepretaria o par romântico de Batman, foi trocada por Nicole Kidman, por ser considerada um pouco velha pra fazer par com Kilmer. Robin quase foi de Leonardo DiCaprio e por aí vai.
Schumacher não restringiu as mudanças ao elenco e trocou todo o time. A trilha sonora foi encomendada para Elliot Goldenthal, retirando, dessa forma, Danny Elfman da jogada. Nesse quesito, o longa foi bastante bem sucedido. A trilha sonora foi indicada a prêmios de renome mundial e as vendas foram bastante expressivas. Goldenthal incluiu nomes como U2, Seal e PJ Harvey, numa tentativa de tornar a trama mais "pop", nas palavras de Peter McGregor-Scott, produtor do filme.

O roteiro é fraco e parece uma grande colcha de retalhos. Agora, dois super vilões se unem com o objetivo de derrotar o Homem-Morcego e dominar uma Gotham City extremamente exagerada. Schumacher, na tentativa de afastar o longa dos dois filmes que o antecederam, transformou Gotham City num circo cheio de monumentos e luzes coloridas. Além disso, abusou do toque histriônico nos vilões Duas-Caras e Charada, tornando as duas figuras extremamente cansativas e cheias de gargalhadas impossíveis de suportar após certo tempo. Nicole Kidman tentou repetir a Kim Bassinger de "9 Semanas e 1/2 de Amor" e parece nem se esforçar minimamente para convencer no papel, tornando a personagem apenas um poço de olhares lânguidos e "beicinhos" lançados para o objeto de sua ninfomania. O único que convence minimamente é o Robin de Chris O'Donnell (ênfase no "minimamente").
Ninguém convence. Val Kilmer deixa transparecer a sua impaciência com o diretor em cada tomada. Nicole Kidman não faz nada além de charminho. Chris O'Donnell parece não ter sido avisado de que o tom sombrio devia ser deixado pra trás e interpreta um Robin que não se encaixa no cenário circense pintado pelo roteiro. Tommy Lee Jones e Jim Carrey erraram a mão e transformaram seus vilões em dois super palhaços que deixam o filme extremamente cansativo.
O longa falha em praticamente todos os aspectos e se tornou absolutamente irrelevante.
"Batman & Robin" (1997):
Mas quem acha que pior não podia ficar, está redonda e completamente enganado. Em sua segunda tentativa, Joel Schumacher demonstra que nada está tão ruim que não possa ser piorado.
Depois dos enormes conflitos causados pela grosseria de Val Kilmer nos sets de filmagem, ele foi substituído por George Clooney. Nesta quarta história, Batman e Robin estão juntos no combate ao crime em Gotham City. O vilão da vez é Mr. Freeze, que ameaça congelar toda a cidade para conquistar um objetivo bastante peculiar. No entanto, ele não vem sozinho. O homem de gelo interpretado por Arnold Schwarzenegger ganha a companhia de uma vilã um tanto quanto perigosa - Hera Venenosa -, acompanhada de seu fiel escudeiro, Bane, e interpretada por uma estonteante Uma Thurman.
O filme é uma verdadeira bomba de mau gosto. A fotografia conseguiu ficar pior do que já era. Gotham City ganhou tons de vermelho e verde e parece ainda mais um circo. A trilha sonora que fez tanto sucesso no filme anterior, embora eu não tenha gostado, conseguiu ficar ainda pior. As composições tornam o filme ainda mais circense que o antecessor e transportam o espectador para uma festa infantil muito mal animada.
Os personagens conseguiram ficar piores. Se Val Kilmer não convencia na pele do Homem-Morcego, George Clooney muito menos. Bruce Wayne vem carregado de sorrisinhos de canto de boca e de piadas absurdamente sem graça. Sim. Agora o roteiro resolveu trazer piadinhas internas de péssimo gosto. Ah! E agora a dupla de mocinhos ganha um reforço: Alicia Silverstone no papel de Batgirl. Meu Deus! Apesar de lindinha, a Batgirl consegue ser mais irrelevante do que foi o Robin no primeiro filme. Schumacher alterou a origem e a relevância de boa parte dos personagens e não soube aproveitar em nada a complexidade do vilão principal, Mr. Freeze.
"Batman & Robin" conseguiu piorar o que já era ruim e culminou num pedido de desculpas do diretor pelo péssimo filme.
Resumindo: Joel Schumacher conseguiu destruir uma franquia que a Warner só teve coragem de ressuscitar 8 anos depois. Os dois longas são um festival de erros tornando os filmes memoráveis no pior sentido da palavra. Pra arrematar o fracasso de roteiro, trilha, fotografia e interpretações, Schumacher conseguiu, ainda, irritar os fãs do super-herói com os bat-mamilos do uniforme e os vários closes nas bundas dos personagens, usados e abusados durante todo o longa. Irrelevante é a palavra para definir a participação de Joel Schumacher na franquia.





