Sinopse: Após um trágico acidente em que morrem o marido e a filha, Julie (Juliette Binoche) decide por renunciar sua própria vida. Após uma tentativa fracassada de suicício, ela volta a se interessar pela vida ao se envolver com uma obra inacabada de seu marido, um músico de fama internacional.
Marcos Antonio:
Confesso que ainda não sei muito o que dizer sobre "A Liberdade é Azul". O filme, primeiro de uma trilogia, foi dirigido e escrito pelo consagrado Krzusztof Kieslowski ("KK" para os íntimos) e tenta retratar toda a dor enclausurada de Julie após perder seu marido e sua filha num acidente automobilístico do qual é a única sobrevivente. Ao saber que ambos haviam morrido, ela tenta o suicídio, mas desiste. Depois de se recuperar do acidente e sair do hospital, ela resolver vender todos os bens. Sem chorar em nenhum momento a morte de Patrice e Anna, ela se muda em busca de uma vida longe de amigos, recordações, parentes, tudo que a fizesse recordar de seu passado. Ao terminar o filme, confesso que fiquei sem saber o que pensar ou o que dizer e, aos poucos, fui percebendo que, talvez, essa seja exatamente a intenção de "KK" (pelo amor de Deus, não me façam escrever o nome dele de novo). Ele tenta, e consegue, mostrar toda a dor, a frieza e falta de esperança de uma mulher que não sabe o que fazer com a recém conquistada "liberdade", já que essa "liberdade" resulta da dor profunda da perda. Olhando por esse ângulo acabamos percebendo que o filme foi sim muito bem feito, porque é exatamente isso que o filme passa. Juliette Binochet constrói uma personagem que não estabelece nenhum vínculo com o espectador, não nos faz nos apaixonar por ela, chorar a sua dor, pq essa dor está enclausurada nela. Uma brilhante atuação de Binochet! A trilha sonora, toda composta por músicas clássicas e instrumentais, transmite essa dor, esse peso carregado por Julie, bem como a fotografia. Ao optar por tons de azul, cores frias, cinzentas, Slawomir Idziak (pelo visto o diretor não escolheu ninguém com nome fácil pra trabalhar no filme) consegue captar esse sofrimento, esse momento de apatia em que se encontra Julie. Brilhante!
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