quinta-feira, 16 de agosto de 2012

ESPECIAL: Filmes e personagens que marcaram nossa infância


Filmes de ação (com raras exceções) costumam ser um grande reduto de diversão descartável. Cenas delirantes, tiros para todos os lados, fantasia gritante totalmente fora da realidade, mulheres gostosas (isso é bom) se amassando com o “herói” dos oprimidos e indefesos, policiais de aço que nunca levam um tiro (pena eles não existirem na vida real), e conteúdo zero.

No passado esse gênero de filme fazia muito sucesso, nos anos 1980 e 1990 eles eram produzidos como barris de petróleo. Felizmente a coisa mudou um pouco, e hoje em dia essas “obras” não são mais produzidas na mesma escala do passado.

Confesso, sem problemas, que quando criança eu era fascinado por eles. E dois desses filmes tiveram uma relevante influencia na minha infância e no meu comportamento. E digo que não só durante a infância, mas me influenciaram também durante a adolescência. 



Rambo e Braddock foram filmes que (apesar de serem banais e de violência gratuita) me trouxeram boas coisas e me proporcionaram excelentes diversões durante a infância. Quando assisti Rambo foi uma febre. Eu tinha seis, sete anos, por ai, e era fanático por esse filme (comprei ate a bota dele, uma edição limitada lançada no inicio dos anos 1990 para crianças), queria ser ele, combater em guerras, salvar a humanidade, eu literalmente pirava no quintal de casa com as minhas armas de espoleta, ficava mais louco que o Chuck Norris na caçada de inimigos imaginários que eu inventava (em uma ocasião a geladeira da cozinha virou no chão e eu me espatifei, quando resolvi no meio do “combate” abrir a porta da geladeira e me pendurar nela).

Fora as besteiras infantis, esses filmes tiveram uma utilidade real. Rambo e Braddock me tornaram um verdadeiro amante da Guerra do Vietnã. Eu comprava bonequinhos, tanques de guerra, aviões, helicópteros, veículos blindados, barcos, todos da coleção “Comandos em ação”. Foi um período feliz para mim, mas triste para os meus pais. Os dois gastaram uma pequena fortuna para sustentar as minhas “ambições militares”. Sempre quando saia com meu pai era um inferno. Naquela época existiam lojas da Estrela espalhadas por todos os lugares. E quando eu entrava em uma delas, meu pai já fazia aquela cara, ele sabia, sempre soube, ia doer no bolso.

(Eu, assim como o presidente George W. Bush, sempre estive pronto para a guerra) 

Quando completei treze anos a influencia desses filmes se converteu para uma forma cultural, eu diria. Ao invés de comprar brinquedos, passei a comprar livros, enciclopédias, e mapas que reproduziam os movimentos das tropas durante o conflito do Vietnã, e também de outras guerras. Pouco a pouco o meu interesse se estendeu para outros conflitos, e outros assuntos. Como, por exemplo, os motivos que levaram os paises a se debater no campo de batalha, o desenrolar das guerras e o pós conflito. Aprendi, por exemplo, que muitas guerras tiveram sua origem no caos social provocado por crises econômicas ou disputas comerciais.

Lendo sobre o desenrolar desses conflitos, passei a ter curiosidade em saber mais sobre os generais e lideres políticos que comandavam seus exércitos. E lendo biografias dessas lideranças pude atentar para uma coisa que ate hoje me faz refletir muito. O quanto o aspecto psicológico influi na tomada das decisões de lideres políticos e militares em tempos de guerra.

Como algumas das maiores burradas militares foram cometidas por chefes movidos pela emoção, o orgulho e a arrogância. E esses erros acabaram custando a vida de milhares (milhões ate) de inocentes, quando não a completa derrocada de um país. E também como vários lideres eram pessoas extremamente sensíveis, e não simplesmente chefões sanguinários que mandam soldados para a morte. Como, por exemplo, Eisenhower. Ele era extremamente cuidadoso antes de dar uma ordem, costumava ficar sozinho, em absoluto silencio, durante muito tempo, refletindo, pois ele sabia que uma decisão errada, um simples “sim” ou “não” de forma equivocada poderia custar a vida de vários soldados americanos.
  
(Eu, aos oito anos de idade, caçando inimigos no jardim. Minha mãe não gostou nada do resultado)
 Esses estudos também me fizeram ver que muitas guerras (apesar de trágicas) eram necessárias, e foram travadas por ideais nobres. Como a Guerra do Vietnã, por exemplo. (Embora o sentido dessa guerra tenha sido distorcido posteriormente).

Assim, com o passar do tempo, passei a abandonar os filmes de ação fantasiosa, e fui buscar filmes de grande qualidade, que retratavam aquilo que eu lia, as lideranças, os conflitos, mas de forma realista, com os vários aspectos envolvidos. E assim, encontrei filmes clássicos e imperdíveis, como a fantástica cinebiografia de um mito, um personagem singular na historia militar da humanidade, o general norte americano George Patton (premiada em algumas categorias pelo Oscar, em 1971), e Stalingrado que retrata como poucos filmes o lado humano da guerra, o dia a dia de um soldado na frente de combate da maior batalha de todos os tempos.

Mas você nunca viu filmes com temática infantil?
Obvio que vi. Quando criança eu assistia com freqüência aos filmes taxados de infantis. Porém nunca eles tiveram grande relevância e influencia na minha vida e no meu comportamento. O que não significa que eles sejam ruins. 


(Sem dó nem piedade, é isso ai Rambo, senta o dedo e acabe com eles)


Filmes sempre têm a capacidade de nos influenciar, direcionando a nossa atenção para certas áreas. Existem pessoas que se apaixonaram e escolheram certas profissões influenciadas por filmes. Na vida uma coisa leva a outra, e no meu caso (embora eu não tenha virado um combatente militar) o que começou de uma forma “tosca” na infância, acabou com o passar dos anos levando a coisas bem legais, que acrescentaram muito na minha vida e me fizeram evoluir como ser humano.

E você leitor, quais filmes e personagens marcaram a sua infância e influenciaram o seu comportamento?

2 comentários:

  1. Cara, lembrei MUUUITO da minha infância lendo esse post, embora ele não seja lá muito infantil.

    Eu tbm tinha a coleção dos Comandos em Ação e também tive as botas do Rambo! E mais: eu tinha a faixa vermelha do Rambo, óculos escuros, walk-talk e revólver de espoleta.

    Eu tinha me esquecido dessa minha fase guerrilheiro, que se deveu muito também à influência do meu pai, que é Militar.

    Mas vários outros filmes marcaram a minha infância. Tive a fase Disney, com "Alladin", "Mogli - O Menino-Lobo" e até "A Bela e a Fera". Mas eu era desesperado mesmo por "Esqueceram de Mim" e morria de vontade de imitar todas as armadilhas que o Macaulay Culkin armava em cena. Adorava "Querida, encolhi as crianças", "Riquinho"... Bons tempos!!

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  2. Ok.. talvez meu pai tenha sido o único pai da história a proibir seus filhos de assistir Rambo e Chuck Norris aos 5 anos de idade. Hahahahaha.

    Minha infância foi mais cercada por filmes como "Star Wars" (a primeira trilogia), "Os Muppets", "Os Batutinhas" e os filmes da Disney.... Ai, que saudade

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