Sinopse: Três pessoas são tocadas pela morte de maneiras diferentes. George (Matt Damon) é um americano que desde pequeno consegue manter contato com a vida fora da matéria, mas considera o seu dom uma maldição e tenta levar uma vida normal. Marie (Cécile De France) é jornalista, francesa, e passou por uma experiência de quase morte durante um tsunami. Em Londres, o menino Marcus (Frankie McLaren/George McLaren) perde alguém muito ligado a ele e parte em busca desesperada por respostas. Enquanto cada um segue sua vida, o caminho deles irá se cruzar, podendo mundar para sempre as suas crenças.
Marcos Antonio:
Eu não costumo ler as sinopses dos filmes antes de assistí-los, porque elas sempre revelam, mesmo que com uma única palavra, algum detalhe do filme que eu preferiria só descobrir assistindo. No caso de "Além da Vida", como o DVD chegou aqui em casa por engano (a locadora mandou pro endereço errado), eu acabei lendo e até hesitei em assistir. Com a proliferação dos filmes pregando o espiritismo como verdade-universal no Brasil, achei que este seria mais um filme do gênero e resolvi não ver. Não que eu tenha algo contra, cada um acredita no que quiser, mas não é o tipo de tema que eu assistiria por escolha própria e nem tenho afinidade com esse tipo de filme. No fim das contas, reli a sinopse e acabei resolvendo assistir e ver qual era a do filme. O fato de ser dirigido por Clint Eastwood colaborou na decisão. Ao contrário do que eu imaginei, realmente o filme não prega o espiritismo, apesar de o tema estar relacionado. Aqui, a questão religiosa fica em segundo plano, não aparece, pra ser bem sincero. O filme conta a história de 3 personagens que não se conhecem e que se relacionam de alguma forma com a morte. O longa conta cada uma das histórias paralelamente; recurso interessante, mas um pouco cansativo, já que eram longas cenas contando cada uma das histórias, faltou um pouco de dinamismo. No final, as 3 histórias se cruzam e cada uma tem o seu desfecho. Os destaques ficam, em primeiro lugar para a recriação do Tsunami na Tailândia. EXCEPCIONAL! Eastwood não costuma abusar dos efeitos especiais em seus filmes e foi muito bem sucedido em sua primeira experiência. Absurdamente verossímil! O Tsunami foi recriado de uma forma espetacular e impressionante. As cenas iniciais, quando a onda atingiu o hotel, foram todas criadas digitalmente. Nada ali é de verdade. Já as cenas dentro da água foram gravadas dentro do mar, no Havaí, e dentro de um tanque, criado em estúdio. Muito bom mesmo! Em segundo lugar, a fotografia. O filme teve cenas rodadas em San Francisco, Havaí (recriando a Tailândia), Londres e Paris. Apesar de eu ter achado a paleta para as cenas na Tailândia um pouco exagerada nos tons claros, o que deixou as cenas excessivamente claras, a fotografia foi um grande acerto do filme. Em terceiro lugar, o roteiro, cansativo em algumas partes, mas muito bem executado e muito eficiente em contar a história. Não é nem de longe um dos melhores filmes de Eastwood, mas também não se pode dizer que foi um erro em sua carreira.
