Sinopse: No século XVI, um casamento de conveniência é celebrado com o intuito de manter a paz. A união entre a católica Marguerite de Valois, a rainha Margot (Isabelle Adjani), e o nobre protestante Henri de Navarre (Daniel Auteuil) tinha como meta unir duas tendências religiosas. O objetivo do casamento foi tão político que os noivos não são obrigados sequer a dormirem juntos. As intrigas palacianas vão culminar com a Noite de São Bartolomeu, na qual milhares de protestantes foram mortos. Após isto, Margot acaba se envolvendo com um protestante que está sendo perseguido.
Marcos Antonio:
O cinema francês tem me surpreendido cada vez mais positivamente. "A Rainha Margot" chegou aos cinemas em 1994 com uma proposta perigosa: além de ser um épico e um romance, o filme se dedica a narrar uma trama que se passa em plena "Noite de São Bartolomeu", ou seja, um episódio histórico e com personagens reais. O que significa dizer que o longa enfrentaria não apenas a crítica especializada, mas também os historiadores. Saiu-se muito bem! Esse filme me foi indicado há mais de 5 anos, quando eu ainda fazia cursinho pré-vestibular por um professor de História e já está na minha prateleira há algum tempo, sem nunca ter sido assistido. O roteiro, baseado na obra de Alexandre Dumas, nos primeiros minutos pode parecer um tanto quanto confuso, já que o filme não se preocupa muito em explicar quem é quem na história. A trama já começa no casamento, o espectador é bombardeado por uma porção de nomes pra associar à pessoa em poucos minutos. Passada esta fase, o roteiro mantém um ritmo acelerado, mas bem mais tranquilo de se acompanhar. Além de um roteiro muito bom, atuações excelentes. Isabelle Adjani está lindíssima na pele da personagem-título do filme. A atriz, além de linda, consegue passar uma pureza no olhar que impressiona, ao mesmo tempo, uma devassidão sem igual, já que a personagem era tudo, menos puritana. Mas os grandes destaques mesmo ficam por conta de Virna Lisi (Melhor Atriz no Festival de Cannes) e Jean-Hugues Agladé, Catarina de Médicis e Carlos IX, respectivamente. Lisi consegue transmitir toda a personalidade sombria de Catarina de uma maneira assustadora. Ao entrar em cena, ela rouba para si todas as atenções, um olhar devastador. Já Agladé transmite brilhantemente a fragilidade e quase loucura de um rei que vive sob o domínio da mãe, louca para que ele morra e que seu outro filho assuma o trono. Trilha sonora e fotografia assumem papel preponderante na história. A fotografia de Phillipe Rousselot está perfeita. A escuridão das ruas de Paris e dos palácios captam de maneira primorosa as sombras que circundam a vida dos personagens principais da história. Por último, mas não menos importante, a caracterização de Moidele Bickel, indicada ao Oscar® de Melhor Figurino. Um filme primoroso, de qualidade ímpar. Ágil, violento e quebrando, inclusive, tabus comuns no cinema hollywoodiano, como a nudez frontal masculina, por exemplo. Um romance épico com uma boa dose de suspense. Vale a pena assistir!
Avaliação da Equipe:
Marcos Antonio | Júnia | ||
Direção: | 8,8 | Direção: | |
Roteiro: | 9,1 | Roteiro: | |
Fotografia: | 8,5 | Fotografia: | |
Trilha Sonora: | 8,0 | Trilha Sonora: | |
Efeitos Visuais: | - | Efeitos Visuais: | |
Caracterização: | 9,5 | Caracterização: | |
Nota Geral: | 8,8 | Nota Geral: | |
